DEPUTADO FEDERAL E EX-MILITAR FAZ PROVOCAÇÃO A FAMILIARES DE MORTOS E DESAPARECIDOS DO ARAGUAIA
O deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ) acaba de fazer uma provocação inaceitável a familiares de mortos e desaparecidos da guerrilha do Araguaia durante o regime militar, no mais sangrento período da ditadura, que corresponde ao período do governo do general Emílio Garrastazu Médici. Na porta de seu gabinete, Bolsonaro colocou um cartaz onde aparece a figura de um cão segurando um osso (como se fosse um osso humano), com a seguinte inscrição: "Desaparecidos da Guerrilha do Araguaia, quem gosta de osso é cachorro". A postura causou a repulsa e o repúdio imediato do Grupo Tortura Nunca Mais/SP, cujo Diretor de Comunicação, Delson Plácido, enviou ofício ao presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), exigindo providências contra o deputado do PP. Veja a íntegra do Ofício do Grupo Tortura Nunca Mais:
Ao Deputado Federal Michel Temer Presidente da Cãmara dos Deputados Brasília - DF Excelentíssimo Senhor; Pela presente, o Grupo Tortura Nunca Mais/SP, vem manifestar sua profunda irritação e indignação em virtude das provocações e falta de ética do deputado federal pelo Estado do Rio de Janeiro, Jair Bolsonaro.
As provocações de Jair Bolsonaro representam uma falta de respeito aos familiares dos mortos e desaparecidos e a todos os que lutaram e tombaram durante o regime nazimilitarista em nosso país. O Grupo Tortura Nunca Mais/SP lamenta profundamente que as provocações desse aprendiz de nazista ocorram, exatamente, quando surgem várias denúncias sobre a "Operação Condor" e quando aumentam as pressões dos movimentos sociais e órgãos internacionais para a abertura dos arquivos secretos das forças armadas e punição dos torturadores, por uma verdadeira Anistia, sem a qual jamais teremos um Estado Democrático de Direito em nosso país. O Grupo Tortura Nunca Mais/SP considera que o deputado federal, Jair Bolsonaro deveria ter seu mandato cassado por falta de decoro parlamentar.
Atenciosamente, Delson Plácido Diretor Comunicação Grupo Tortura Mais/SP
Quem é Jair Bolsonaro?
Deputado Federal em quinto mandato, Bolsonaro já passou pelo PDC, PPR, PPB, PTB, PFL e agora está no PP (mesmo partido de Paulo Maluf), que atualmente compõe a base do governo Lula no Congresso. É formado pela AMAN (Academia Militar de Agulhas Negras), membro da Brigada Pára-Quedista, atualmente afastado para o exercício parlamentar. No Congresso já participou de várias comissões, algumas polêmicas, entre as quais: Comissão Mista Especial Projeto Calha Norte, Política de Ocupação Racional da Região Amazônica; CPI Mista Esterilização das Mulheres no Brasil; Meio Ambiente e Minorias; Defesa Nacional; Seguridade Social e Família; Reforma da Previdência; Anistia dos Militares; Acumulação de Cargos para Militares; Carreiras Policiais; Guerrilha do Araguaia; Processo de Desestatização da Companhia Vale do Rio Doce; Reserva Indígena Raposa Serra do Sol, e Demarcação de Terras Indígenas; Usina Nuclear Angra II, entre outras. Óbvio dizer que sua participação em algumas destas comissões, sob o manto de ‘defesa nacional’, por exemplo, teve posição contrária à demarcação de terras indígenas ou por sua redução, pela privatização da Vale, pela permanência da Anistia aos militares que torturaram e mataram durante o regime militar.
Em seu currículo disponível no Site da Câmara dos Deputados, Bolsonaro faz constar os seguintes dados: “Destacado para servir na fronteira, Nioaque, MS, 1979-1981. Preso disciplinarmente em 1986, por 15 dias, após ter declarado à imprensa a baixa remuneração dos militares. Acusado em 1987, pelo Ministro do Exército, Leônidas Pires Gonçalves, de indignidade para o oficialato, sendo absolvido, em 1988, pelo STM (Superior Tribunal Militar)”. Bolsonaro tem sido uma espécie de ‘bastião da exterma direita’ no Congresso Nacional e, infelizmente compõe a base do governo Lula no Congresso. Márcio Fortes, ex-colaborador da ditadura O PP, partido de Bolsonaro participa da Base do Governo através do Ministério das Cidades, dirigido por Márcio Fortes, outro ex-colaborador da ditadura militar. Entre outros cargos, antes de ser Ministro das Cidades do amplo arco de alianças do presidente Lula, Márcio Fortes foi Assessor Chefe do Gabinete do Ministro da Indústria e do Comércio (1970/74); Assessor e Subchefe da Assessoria Especial do Presidente da República (1966/73); Membro do Grupo de Estudos sobre Direito Internacional Público e Política Internacional na Escola de Comando e Estado-Maior do Exército (1966/67); Redator e Revisor da equipe de elaboração das Mensagens Presidenciais ao Congresso Nacional (1967/69). Este último cargo pode ter proporcionado a Márcio Fortes participar da elaboração e redação de algumas das pérolas da ditadura, como os Atos Institucionais (inclusive o AI-5). O fato é este: o governo Lula tem hoje como ‘aliados’ políticos, gente da estatura moral de um Jair Bolsonaro e de um Márcio Fortes. Então, muitas notícias como esta (do ataque de Bolsonaro aos mortos e desaparecidos) devem continuar a acontecer, sem muita margem de resposta do governo à altura do que a sociedade exige, ou seja, o deputado deveria, no mínimo ser submetido ao Conselho de Ética da Câmara, o que dificilmente ocorrerá por conta do episódio do cartaz com o cão. Bem, não seria grande coisa o deputado ser investigado por um conselho de ‘ética’ que já teve em seus quadros alguns tipos como o deputado ‘que se lixa’ com a opinião pública. (Márcio Amêndola de Oliveira, do Contraponto, com informações dos Sites do Congresso Nacional, do Ministério das Cidades e do Grupo Tortura Nunca Mais)
Fonte: http://blog.zequinhabarreto.org.br/2009/05/26/
Há 13 anos
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